Segundo o IBGE, 24% das empresas abertas no Brasil fecham no primeiro ano. Em Maceió, por exemplo, esse percentual salta para 69%, segundo o SEBRAE de Alagoas.
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O SEBRAE alagoano divulgou alguns dados, obtidos em entrevistas com 4.700 empresários, que vou tomar como parâmetros nacionais para montar o raciocínio em torno desses casos. Vamos a alguns números:
55,1% apontam a alta carga tributária dos negócios como o ponto chave para o fechamento das portas da empresa.
Falta de capital de giro é apontado por 46,9% dos entrevistados. Só 10,2% admitem falta de conhecimento de mercado como causa principal da falência.
Avaliando quem são estas pessoas, vemos que 22% deles eram funcionários de médias e grandes empresas antes de abrirem o próprio negócio. E este é um ponto chave para onde quero chegar com este post.
Analisando os pontos principais das causas do fechamento das empresas, e as características dos empresários que as abriram, podemos concluir como causa e solução o seguinte:
A importância do Business Plan: muitos empresários, principalmente pessoas com menos conhecimento, que estão agindo por ímpeto ao abrirem as empresas, acham bobagem e perda de tempo e dinheiro ficar um mês trabalhando em um plano de negócios que, teoricamente, não trará benefício algum ao negócio.
Esse descaso com o plano de negócios ocorre em dois momentos: a pressa para estruturar a empresa e “ser seu próprio chefe” e se for verificado na estruturação do business plan que o negócio é de risco ou inviável. Inclusive o fato do business plan não ser um cálculo exato de viabilidade, e que depende de diversos fatores subjetivos (como impacto da comunicação e previsão de vendas, que está plenamente atrelada a qualidade da comunicação executada), ele é passível de falha.
E se a estruturação do plano é feita pelo próprio idealizador do negócio então, o problema aumenta. A visão do pai, a visão do dono, pode ser uma visão míope, e otimista demais frente a um mercado competitivo e muitas vezes desleal. E aí me refiro a qualquer segmento. Alguns mais, outros menos. Se o narrador lembra a cada lance que “não tem mais bobo no futebol”, imagina então na área empresarial.
Faço essa análise de importância do Plano de Negócios analisando, prioritariamente, a grande maioria dos empresários que afirma que fechou o negócio por conta das altas tributações do governo. É essa mania brasileira de culpar os outros pelos seus próprios erros.
A taxação empresarial não muda assim, do dia pra noite. E se muda, não inviabilizaria só o seu negócio. Inviabilizaria todos que trabalham com o mesmo segmento que o seu. Um planejamento bem estruturado antes da abertura da empresa mostraria exatamente os custos que o governo cobraria, e estes custos teriam de ser repassados para o material de produção, para o preço final, para o salário dos colaboradores, enfim… com planejamento, não se teria surpresa. A falta de capital de giro, o segundo ponto apontado como principal, também seria plenamente atendido por um plano de negócios bem estruturado e eficaz. Um plano de negócios bem feito é argumento e moeda de troca por capital de giro em diversas instituições. Se os bancos (leia-se BNDES) não concederam crédito a sua empresa, provavelmente é porque avaliaram que ela não era viável. E a julgar pelo fechamento, estavam certos.
Basicamente, o plano de negócios serve não só para trilhar o caminho de crescimento da sua empresa, tanto na questão de viabilidade financeira, como custos e de mão de obra, análise de mercado e previsões de crescimento (fiscal e estrutural).
Impacto externo: 22% dos empresários eram funcionários de médias e grandes empresas, e decidiram abrir seu próprio negócio. E vejo com certa freqüência essa visão de nicho com sensação de visão ampla. Em médias e grandes empresas, com exceção de alguns cargos específicos, a execução de trabalhos é feita em nichos. Estes nichos, mesmo em posições estratégicas e tomadoras de decisão, têm uma visão restrita do negócio, e do impacto do ambiente externo nos resultados finais.
A pessoa que sai de um nicho empresarial acreditando que tem uma ampla visão de negócios está redondamente enganada. A gestão de uma média ou grande empresa é infinitamente mais fácil do que a gestão de uma pequena empresa
Ao contrário do que muita gente imagina, é muitíssimo mais fácil dirigir uma grande multinacional que trabalha com importação, do que uma micro empresa importadora de produtos de um nicho específico. Isso se dá por que, em uma grande empresa, existem muitas saídas para impactos externos em determinadas áreas.
Em uma grande empresa, os valores trabalhados são em cifras muito maiores. O impacto externo tem que ser proporcionalmente maior para causar um impacto negativo nas finanças desta empresa. Em geral, grandes empresas se previnem de impactos de nicho trabalhando com fornecedores distintos e/ou outros nichos de produtos. Nesse caso, uma crise em determinado segmento é abatido pela receita de outro, mantendo o negócio ativo e, inclusive, servindo como financiamento para a compra de concorrentes de menor porte que estejam a beira da falência com a crise. No final da crise, com o novo aquecimento do mercado, este nicho que foi mantido por outra receita volta mais forte ainda do que antes da crise.
Este é apenas um dos vários pontos que a multidisciplinaridade de uma empresa pode resultar positivamente.
Analisando o caso de uma pequena empresa, o valor obtido como capital de giro é menor, o volume de vendas também, o estoque também, e com isso, pequenas oscilações do mercado podem influenciar de forma significativa as margens de lucro e preços finais. E nesse caso a empresa fica com duas alternativas: trabalhar no negativo e se arriscar, considerando um reaquecimento do mercado, e pra isso, tomar empréstimos para manter a empresa ativa; ou tentar repassar as variações de mercado para o cliente através dos preços, o que, com a globalização e facilidade de pesquisas e compras pela internet se torna inviável (lembre que as grandes redes que também atendem nichos podem manter os preços baixos sendo supridos por outros produtos). De uma forma ou outra, a pequena empresa tem um impacto muito mais penoso em qualquer variação de mercado do que as grandes empresas, e é essa visão que os funcionários de nicho não têm, mas deveriam ter.